AI!!! QUE "SODADE" ME DÁ!!!
Hoje acordei bem cedo, como em todas as quartas meu dia começa sempre as 03hs da madruga...já me acostumei! Faça chuva ou sol é nessa hora que levanto, e vou para minha corrente num lugar bendito chamado Casa do Caminho que eu tenho aqui nesta cidade onde moro , cidade que hoje já aprendi a amar , e sei que preciso estar aqui neste momento da minha vida, e é esta Casa do Caminho que me da força e coragem para continuar minha luta de todos os dias como ser espiritual e pessoa que tento ser!
Mas minha coragem e garra não vem daqui, minha coragem,minha vontade e meu amor vem de longe...muito longe daqui....de um lugar pequeno, rodeado por água quase uma ilha, uma ilha sagrada que segundo EU acredito foi especificamente talhada com as próprias mãos de DEUS. Esse lugar se chama GUAPÉ, e apesar de fazer 22 anos que me mudei de lá, ainda me sinto como se vivesse e convisse lá ...exatamente naquela casa, naquela Rua...D.Leopoldina Maia nº315...
Não me lembro quando mudei para aquela casa, era pequena mas lembro da alegria do meu pai, da minha mãe, e do carinho com que fomos recebidos naquela rua....do lado direito tinha a D.Zelia do Paulinho por vizinha, do lado esquerdo o Sr.Ze Acacio e a Rosa, de frente a Teninha do Rombudo, do lado a D.Esmeralda e a Aparecida do tonho do Mané e do outro a Tereza do Ze Julio....
Ah! Rua querida quantas alegrias e saudades tenho de você...tinha o terreno baldio no fundo da prefeitura em que nas nossas brincadeiras, ( eu , a Andreia da Zélia, a Simone do Rumbudo, a Débora do Sinval, o Marco que era pequenininho) nós brincávamos de pique esconde, Maria Sai da Lata, Telefone sem fio, e em dias que sempre vigiados pelos nossos pais ficávamos até mais tarde na rua, os de mais longe também se achegavam as nossas brincadeiras, a Joelza do Zé Ceguinho, o Gustavo , que morava de frente a delegacia, a Vanessa, montávamos uma rede improvisada e fingíamos sermos jogadores de vôlei...as sacadas da Andreia e os gritos dela (DEIXOU A BOLA) ainda encontram eco na minha mente....eram bons tempos ....e eu sabia.
Rua da alegria e das peraltices, gostávamos de desligar os padrões, principalmente da casa da D.Larica( coitada) só para vê-la ficar brava por perder a novela e ela vinha gritando, Nersinho, esses meninos endiabrados de novo desligaram meu padrão...uma vez em que ela ficou muito brava corremos e ela gritou tanto que o Rumbudo ,o Paulinho e meu pai saíram lá de fora, cada um de nós correu para um lado e eu sempre fui a mais mole subi na árvore da casa da D.Zélia e eles ( nossos pais ) ficaram lá embaixo.
Aí eu pisei num galhinho que caiu na cabeça do Rumbudo e o Paulinho falou, acho que tem muito passarinho nessa árvore, o Rumbudo que já tinha me visto falou só se fô sem pena.....foi o dia do castigo e da bronca.....que vergonha, mas eram brincadeiras peraltas que por mais que tivesse maldade eram coisas de crianças....e como éramos felizes.
Lembro quando fiquei doente e quando voltei para casa, das pessoas indo me visitar....lembro de cada um....do começo ao fim da Rua...D.Maria do Orlando,da Adriana,da D.Terezinha,Olga e Julita,da Ana Maria do Gustavo, da D.Larica, Da Tereza, da Teninha, da Aparecida do Toin Mané,da Tia Nenê, da Tia India e da Sandra....da Suzana, da Terezinha, da Dade...
E do outro lado da rua, lembro-me da D.Sabina e do Sr.Itamar, da Ângela, da Rosélia , da Tia Soninha, da Tia Nenê do São, da D.Zélia, da Rosa, da D.Maria do Sinval, da Emilce....do Evandro que tanto me ajudou quando meu pai desencarnou...nao sei as outras ruas, mas aquela devia chamar rua da Acolhida,rua do amor...pelo menos do meu amor, porque ali também eu muito amei alguém ,ou rua da Corrente..sei lá...o povo se reunia para rir, para chorar, para contar historias, para rezar, para fazer novenas....para ser povo, para ser gente para marcar profundamente com histórias, pois o meu ser depois de 22 anos ainda se sente lá...
Lembro do Ogg indo embora do Toin Mané...do meu pai....e hoje sei que muitos outros tabém já se foram ( Aparecida, Paulinho,Rumbudo, Sinval, D.Sabina, Sr.Itamar )...mas a rua continua lá, as marcas e as histórias tbém, inesquecíveis, qtas lutas, qtas alegrias, qtas tristezas, qto amor........hje não vejo mais isso, as pessoas correm, correm e mal sabem o nome dos vizinhos, queria que minha filha tivesse um milésimo de tudo que eu tive.
Busco fazer muitas coisas com ela...pareço doida( sempre fui, e não tenho vergonha), procuro sempre conversar com meus vizinhos pelo menos os que moram do lado, mas sinto que eles tem tanta dor guardada, tanto medo de se relacionar com os outros e com eles mesmos, mas ensinei minha filha a acreditar nas pessoas e tbém a ela e meu marido a brincar de Maria sai da lata, elefante colorido e vôlei....vou ensinar o grito da Andreia (Deixou a bola) .....vou ensinar a ela que podemos acreditar e construir historias e que essas historias Verdadeiras e que fazem a diferença nos dias frios, que essas historias afastam a depressão,e o indiferentismo....
Guapé tem amor....tem crença, tem raça...ainda coloco na minha casa todo dia as 06hs em ponto a ave Maria para tocar.... como tocava antigamente na igreja e a cidade toda ouvia ( não sei se ainda toca) e ensino a Manu a agradecer e a acreditar em Maria e em Jesus...porque eu tive muitooooooooooo amor, e sei que hje qdo encontro pessoas que as vezes não tem paciência ou estão com raiva ou desiludidas da vida, eu me acho o ser mais sortudo do universo.
Estou aqui distante do lugar que eu escolhi no coração, mas tive a sorte e a benção de ter estado aí nesta cidade meio ilha que alguns mapas teimam em não mostrar, mas que nunca jamais foi esquecido pelas mãos de Deus, e conheci toda a alegria e o amor e amizade que alguém pode desejar e querer sentir neste mundo e neste planeta.
Esse lugar existe, tem mapa igualzinho que um dia a Elaine do Zé Ceguinho fez para mim, e disse que era meu lar...era mesmo, Elaine, era meu lar...sempre e sempre será....mesmo que um dia eu more na China...meu coração sempre vai estar e vai morar nesta cidade chamada GUAPÉ.
Ana Paula Jorge/Rondonópolis/Escrito em 2013 no início do ''Bão de Prosa''.









