AI! QUE SAUDADE ME DÁ!
Texto de Marcelo Lagoa
...ENTÃO HOJE AMANHECI MUSICAL:
Amanheci lembrando que se ouvia sempre bem de manhã dos auto-falantes da Igreja a música “Obrigado ao Homem do Campo”.Era costume do Pe.João.Nosso homem do campo perdeu muitas de suas características desde então. O Fazendeiro Latifundiário se mudou pra cidade grande, anda de Hilux e se comunica com o capataz pelo rádio-amador. Veste botina e chapéu só nos feriados, quando vem passar uns dias na propriedade. Esqueceu o que é andar de cavalo.
Os pequenos agricultores – onde a família ainda planta pra subsistência – não conseguem nunca uma colheita expressiva, que possa “alimentar e vestir o Brasil”. E depois da TV e da Internet, também pouco restou da "raíz da cultura, da fé e dos costumes", como cantavam Dom & Ravel na sua música.
Na cidade, Dna.Lurdes do Zé Costela nos vendia o alface, almeirão, couve, repolho e cheiro verde a módicos Cr$5,00 cruzeiros. A banda inteira do porco incluindo o toucinho, podíamos comprar no bar do Gêra, que mantinha um criame de suínos no fundo do quintal. Acho que o dia de matar porcos era na 5ª feira. Lembro-me do João-mudinho que não podia andar, e vinha se arrastando sentado no chão até a porta desse armazém todos os dias. Ali, filava de alguém a sua cachacinha e passava as horas mornas da vida.
Vi uma foto do Nero e do Maurício aqui no jornal outro dia, e me lembrei que nunca houve aulas mais divertidas do que nas salas onde esses moleques estudavam. O Jorge, a Joelma, o Dinho & Companhia conseguiam afugentar o clima austero de qualquer disciplina. Uma vez, depois da chuva, estavam o Jorge Pio, o Nero do Zé Costela, o Neuder do Mário Rocha e mais uns meninos do povo do Cirino bem ali no passeio, de frente o bar. O que estavam fazendo?? Tinham colocado um cigarro na boca do sapo, e esperavam pra ver o bicho estourar! Do outro lado da rua na barbearia, todo mundo ficou na expectativa...
Certa vez os filhos mais velhos do Gêra aprontaram com o Donato. Lembra do Donato? Era um barbeiro que nas horas vagas também consertava relógios. Conseguia fazer o balancim do relógio funcionar de novo, mas usava no peito um marca-passo – o qual ele não pôde consertar e que lhe ceifou a vida muito cedo – uma pena! Pois é, certa vez prepararam um prato bem temperado, decerto havia farinha com pedaços de carne e aparência bem apetitosa... E o Donato sempre dizia que não comia qualquer coisa, mas naquele dia entrou de cara virada na panela. Depois contaram pra ele que aquilo era um cozido feito com o “membro” do boi... Essa estória eu fiquei sabendo porque estava outro dia cortando cabelo no salão do Donato e fiquei ouvindo a conversa deles depois dessa brincadeira! Aí só deu gente tirando sarro!
E assim se passaram os anos! Mudei-me pra Cidade Nova, mas descia todos os dias pra comprar leite no ponto de vendas da Teresinha Parula. Às vezes, cruzava o caminho com o Cláudio do Zé Dama, que também descia pro centro todos os dias com a vasilha de leite. O Cláudio era um homem-moleque, um rapaz que nunca cresceu por dentro e conservou a inocência infantil dentro da alma.
O Dão que trabalhava por ali, vendeu o açougue pro Zé Lair e comprou uma carroça. Também se mudou da Av.Brasil e foi morar lá no final da Rua 3 de Fevereiro. A gente sabia onde o Dão estava a qualquer hora do dia! Bastava prestar atenção e escutar... Quando o Dão conversava, toda rua ouvia sua voz! E o Dão ia guiando a carroça e gritando alto com todo mundo na rua. E assim o tempo passou...
“O tempo passa, e com ele caminhamos todos juntos,
sem parar.
Nossos passos pelo chão, vão ficar!
Marcas do que se foi,
Sonhos que vamos ter.
Como todo dia nasce, novo em cada amanhecer...”
O TEXTO FOI POSTADO EM 2013,DAÍ COPIEI OS COMENTÁRIOS TAMBÉM
EVERALDO SOARES - Lembro como se fosse hoje quando o Padre João colocava a música no alto falante da igreja, lembro tbém quando o Gêra fazia a Geléia de Mococotó, que delicia, parabéns,Marcelo Lagoa! MARCELO LAGOA - Hummmm.... que delícia de geléia! O Gêra fazia, né? A gente gostava muito, mas quem fazia pra nós era uma sra. lá da Cidade Nova, D.Maria,a mãe do Urias e do Aurélio. E a gente comia até "estalá os óio.’’
KARLA OLIVEIRA - Que delicia de ler e lembrar! Conheci o Cláudio homem-moleque, definição perfeita! Quanto ao Donato, só tenho o prazer de conhecer sua família e de ter tido como meu grande amigo seu filho Ademir, de quem sinto imensa saudade! MARCELO LAGOA - Obrigado, Karla. Conheci os meninos do Donato desde criancinhas... Eram pivetinhos e iam com o pai pro salão, aprender a profissão.
M LÚCIA AMARAL - Me lembro de tudo isso, menos desse causo da comida exótica que meu pai comeu. Acho que nunca comentou aqui em casa, ele era muito certinho não ia dar o braço a torcer e dizer que foi enganado... ME LEMBRO DE TUDO ISSO, MENOS DESSA HISTÓRIA DA COMIDA EXÓTICA QUE MEU PAI COMEU. ACHO QUE ELE NUNCA COMENTOU ISSO AQUI EM CASA, ELE ERA MUITO CERTINHO NÃO IA DAR O BRAÇO A TORCER E DIZER QUE FOI ENGANADO.....
NILCIMAR ASSIS - Quantas curtidas devo curtir? pena que aqui mostra uma, mas aqui no peito e nas lembranças, como diz o meu pequeno filho Dimas, diz, então vai um infinito de curtidas. Marcelo Lagoa de Almeida kkk!! basta uma curtida só. Obrigado por ler. É bom lembrar dos velhos tempos, né?
FRANCISCO OLIVEIRA - Parabens ,Marcelo.... apesar de não te conhecer, vc escreve muito bem e, me fez relembrar esses episódios do nosso Guapé... tenho muita saudade....chico da gêra... MARCELO LAGOA - Obrigado, Chico. Talvez vc não me conheça, e muita gente aqui também se lembrarão bem pouco de mim, mas eu gostaria com as memórias que escrevo, despertar nas pessoas as lembranças boas e gostosas daqueles tempos que só deixaram saudades... Sempre registrei tudo que vi e ouvi na memória e agora tô devolvendo aos autores delas aqueles detalhes que às vezes ficaram esquecidos :) Um abraço p/ vc. e toda sua família
SUELAINE SILVA – Você e seus textos, adooooorooooo! Me fez lembrar de pessoas queridas q se foram, mais uma vez obrigado. Marcelo lagoa - Obrigado, Su... Tua família também está nas minhas lembranças, afinal fomos vizinhos. Acompanhe as postagens, em breve verás o que me lembro de vocês. Abraços : Joelma silva - Muito bom Marcelo! Como sempre muito inteligente, e escreve super bem desde os nossos bons tempos do grupo Dona Agostinha. Parabéns tbm pela excelente memória...rsrsrs MARCELO LAGOA - Obrigado por ler, Joelma Silva. Você e muita gente desse Guapé fizeram parte da minha história, pois a infância a gente não esquece.
AUGUSTO SILVA LAGOA - - Agora sei pq meu pai as vezes de tarde senta lá no alpendre calado. Pergunto pra ele se tá triste e ele fala que não é nada não. Acho que o meu pai tem saudade ; MARCELO LAGOA - Ôôô... Minino linguarudo, sô! "Respeita" meu minuto de privacidade, uai!! kkk
MARIA AUXILIADORA AMARAL - Seu texto nos remete ao tempo de adolescentes,estudantes,bem como a lembrança do Padre João ,suas músicas,seus ensinamentos.Parabéns pela sua musicalidade amigo.
MISAEL LAGOA - Parabéns por mais essa lembrança mto bem narrada! E é incrivel como os caminhos se cruzam...recentemente encontrei em uma loja de elétrica aqui em Ribeirão o Vicente dos Dama, deixou comigo um convite para conhecer o sitio dele na regiao de Pontal se não me engano e o celular de contato. MARCELO LAGOA - Obrigado, mano. Realmente os caminhos se cruzam. Mas as coisas são assim mesmo. Por isso o mundo é redondo! Uma hora as pessoas se topam, em algum tempo, em algum lugar.
JOÃO BATISTA OLIVEIRA - Muito bem narrada parte da história de Guapé! Lembro muito bem do Cláudio do Zé Dama, era muito engraçado, eu também sou dos Dama, sou filho do Tião Dama, da comunidade da Vargem. Bão, Marcelo Lagoa , o Zé Dama era primo do meu pai, meu tio e irmão do meu pai era o Dama, pai do Lazinho, do Nilson, e do Paulo, era um sr da cabeça Branca, que andava meio corcunda, que morava na av, de cima essa que a gente entra na cidade e já entra nela. MARCELO LAGOA - Prazer, João Batista! Do Zé Dama (era seu tio, né?) guardo a lembrança de uma boa pessoa. Fomos quase vizinhos, morei a 1 quadra de distância. Ele possuía um Corcel II marrom, se não me falha a memória. Ou Del Rey... Sei que era um carrão "chick" pra é...Ver mais
LEONICE BATISTA - Muitas lembranças mesmo.......o Claudio do Zé Dama....era meu vizinho.........e quando ficava bravo dava beliscões na gente....kkkkkk............muitas lembranças boas da Terrinha!!! MARCELO LAGOA - Obrigado, Leonice Batista. Realmente o Cláudio era uma figura! Às vezes se distraía, balançando a vasilha de leite pra lá e pra cá, principalmente naquela subida da rua do Ginásio, pra fazer cadência com os passos... Nem sei se o leite que ele levava chegava completo na casa dele! Muita saudades do Claudinho... Alma boa.
FRANCISCO OLIVEIRA - Parabéns Marcelo....continue com esse seu propósito....não vamos deixar cair no esquecimento, saudosas lembranças do nosso Guapé... obrigado pelo texto.....um abraço..Chico da Gêra
LUANA SOUZA - Que lindo! Me lembrei do Claudio do Zé Dama, saudades eternas... MARCELO LAGOA - Obrigado, Luana. Que bom que vc gostou do texto. O Claudinho se foi, né?....... eu não sabia disso até postar esse texto... Restaram saudades...
BEATRIZ MIRANDA - Você escreve maravilhosamente bem, retrata com uma riqueza de detalhes que impressiona. Parece que estou revivendo todas essas cenas!!! Que saudades daquela infância maravilhosa... Parabéns! MARCELO LAGOA - Obrigado, Beatriz. Sempre digo: Os grandes eventos todo mundo se lembra, né? Mas são os pequenos detalhes que dão cor, sabor e aroma à nossa vida... São esses detalhes que eu tento passar aos leitores, na esperança de que venham despertar neles suas próprias memórias também. Abraços!







